Viajando com seu cão de avião

O que é preciso saber para que tudo dê certo? Veja dicas importantes para que a viagem seja boa, tanto para você quanto para seu cão.

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As exigências para transporte de animais são diferentes em cada companhia aérea e se informar com antecedência ajuda a evitar surpresas (foto: Jorge Tiago / Flickr)

 

As férias estão chegando e você decide viajar com seu cão. Boa idéia! Porém logo surge uma pergunta: O que é preciso fazer para que tudo dê certo? Alguns cuidados e providências devem ser tomados para que a experiência da viagem seja boa, tanto para você quanto para o seu cão. Vamos às dicas:

Antes de qualquer coisa, certifique-se que o seu cão está em boas condições gerais de saúde e tenha atenção aos seguintes pontos:

  • As cadelas prenhes não podem viajar de avião (algumas companhias chegam a proibir o embarque);
  • Os cães idosos, por serem mais susceptíveis ao estresse, não devem fazer esse tipo de viagem, principalmente se tiverem algum problema de saúde, como problemas cardíacos, ou se não estiverem acostumados a viajar;
  • Filhotes são desaconselhados a viajar antes de completarem o calendário de vacinação pelo risco de contraírem alguma doença e pela exigência do comprovante de vacinação para o embarque;
  • Algumas raças com focinho achatado como pug, bulldog, boxer e shih tzu são mais propensas a terem falta de ar por causa da altitude devido à conformação anatômica das suas vias respiratórias – há casos de cães que morrem nas viagens;
  • Certifique-se sobre os riscos do cão contrair Dirofilaria (verme do coração) no local de destino e, se for o caso, faça a prevenção.

Ao escolher a companhia aérea é importante informar-se sobre as especificações para transporte de animais, pois cada companhia possui suas normas. Algumas permitem que cães com até 10 kg (peso do cão somado com a caixa de transporte) viajem na cabine junto com seu dono, outras só permitem que o cão viaje no compartimento de cargas. Apenas os cães-guia, chamados de animais de serviço, viajam sempre na cabine junto com o dono e algumas companhias nem mesmo exigem uso de focinheira, considerando o treinamento que esses cães têm. As companhias também fornecem as dimensões exatas que a caixa de transporte deve ter, de acordo com o peso do cão. Lembre-se de contatar a companhia aérea com antecedência para reservar o lugar do seu cão, pois há limite máximo de animais por vôo. Quanto ao tipo de vôo, a melhor opção é o vôo direto, sem escalas, principalmente se o cão for viajar com as cargas. Se isto ocorrer, evite os horários mais quentes do dia (em caso de verão) ou os mais frios (em caso de inverno).

A documentação exigida para o deslocamento de animais depende do destino. Para vôos dentro do território nacional, não é necessário GTA (Guia de Trânsito Animal) para cães e gatos. Exige-se apenas o atestado sanitário emitido por um médico veterinário registrado no Conselho Regional de Medicina Veterinária e a comprovação da vacinação contra a raiva, obrigatória para animais com mais de três meses de idade e que deve ter sido aplicada há mais de trinta dias e menos de um ano. A carteira de vacinação contra a raiva deve conter: o nome do laboratório fabricante da vacina, selo da vacina, número do lote ou partida, data de fabricação, data de aplicação e validade da vacina, e ainda carimbo e assinatura do médico veterinário. Para viajar, as vacinas dadas em campanhas de vacinação não são válidas, pois elas não possuem carimbo de um médico veterinário.

Quanto ao tipo de vôo, a melhor opção é o vôo direto, sem escalas, principalmente se o cão for viajar no porão

Para vôos internacionais é importante entrar em contato com o consulado do país de destino para informar-se sobre as exigências em relação à entrada de animais em seu território, uma vez que cada país possui suas próprias regras. Por exemplo, a Austrália é um dos países mais rigorosos quanto à entrada de animais, chegando até mesmo a proibir a entrada de animais provenientes do Brasil alegando não ser um país livre da raiva. Em contrapartida, o EUA é um dos países com menor rigidez quanto a entrada de animais. Para qualquer destino fora do Brasil é necessário um documento chamado CZI (Certificado Zoossanitário Internacional), emitido pelo Serviço Veterinário Oficial do país de origem, com o objetivo de garantir o cumprimento das condições sanitárias exigidas para o trânsito internacional de animais até o país de destino. O CZI é obtido na Unidade do Ministério da Agricultura situada no aeroporto e a documentação e vacinas exigidas variam de acordo com o país. Um detalhe importante é que, para a emissão do CZI, a validade do atestado sanitário dado pelo médico veterinário é de apenas 72 horas. Para mais informações acesse: www.agricultura.gov.br.

Na hora de adquirir a caixa de transporte, atente para o fato de que ela deve ser adequada ao tamanho e peso do cão e se enquadrar nas especificações fornecidas pelas companhias aéreas. Independentemente das dimensões, a caixa de transporte deve:

  • Ter tamanho suficiente para que o animal fique de pé e dê uma volta de 360°;
  • Não ser grande demais, para evitar que o cão seja jogado contra as paredes da caixa em caso de turbulência;
  • Ser feita de material que evite vazamentos de dejetos do animal;
  • Ter abertura em pelo menos três lados para permitir uma boa ventilação;
  • Ter alças fortes, pois a caixa será manipulada pelos funcionários da bagagem;
  • Ter locais fixos para água e comida.

Dica: O cão deve se acostumar com a caixa antes da viagem. Para isso, deixe que ele entre, saia, brinque e coma dentro da caixa. Depois, deixe que ele fique dentro da caixa fechada por curtos períodos ao longo do dia. Estes procedimentos de familiarização do cão com a caixa de transporte diminuirão seu estresse com a viagem e o farão considerar a caixa como um lugar seguro.

Com tudo pronto, chegou a hora do embarque. O que fazer para preparar seu cão para o vôo? Seguem as dicas:

  • O primeiro passo é a identificação do cão, feita através de uma coleira com todos os dados do proprietário, contatos e local de destino;
  • Deixe-o sem comer por pelo menos três horas antes do embarque, para evitar vômitos durante o vôo;
  • Ande com seu cão pelo tempo suficiente para que ele fique cansado e urine ou defeque, assim ele ficará mais relaxado durante a viagem;
  • Colocar dentro da caixa o brinquedo preferido dele, também algo que contenha o seu cheiro (pode ser uma peça de roupa) e uma almofada ou travesseiro;
  • Evite despedidas longas e demoradas, pois deixam o cão mais ansioso durante a viagem;
  • A sedação altera os reflexos e equilíbrio do animal, o que pode ser bastante prejudicial durante o vôo. Ela deve ser evitada e feita somente sob prescrição do médico veterinário, quando necessária.

Agora é só aproveitar.
Boa viagem!

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Fernanda Martins é médica veterinária formada pela UFRRJ (CRMV-RJ 7783) e especializada em pequenos animais.

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Comentários

6 comentários para “Viajando com seu cão de avião”

  1. Marco Magiolo

    Oi amigos! Quero deixar uma dica aqui! Viajo muito com meus cães de avião, tanto para o Brasil quanto para o exterior e sempre que vou viajar conto com os serviços de uma empresa chamada Pet Tur (www.pettur.com.br) Fones: 4436-3675 / 9496-0275
    Eles cuidam de tudo, inclusive dos atestados e autorizações! Quando precisarem fazer uma viagem com os cães acho bacana consultar uma empresa que possa ajudar.

  2. Tábata Henriques Andrade

    olá, eu comprei uma cachorrinha pug e ela vai fazer uma viagem com 3 meses por via aérea com duração de 6 a 7 horas, toda documentação está pronta e todos os exames com a aprovação do veterinário… mas tenho medo dela não aguentar a viagem. Se ela não aguentar a tam irá se responsabilizar pelo cachorro? Obrigada

  3. rayane souza

    gostei das dicas


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