Covid-19 e o seu cachorro, o que você precisa saber
Escrito por Dog Dicas | Listado em Saúde
Sim, cães podem ser contaminados pelo novo coronavírus. Há relatos de animais de estimação, incluindo cães e gatos, que se infectaram com Covid-19 após contato próximo com pessoas infectadas.
Porém, de acordo com as informações médicas, o risco de animais transmitirem a doença para as pessoas é considerado baixo. Ainda assim, mesmo a baixa probabilidade de transmissão pede o cuidado de tratar seu cão, caso infectado, da mesma forma como faria com outros membros da família; não o deixe interagir com outras pessoas.
Se uma pessoa dentro de casa se infectar com Covid-19, isole-a de todas as outras pessoas, incluindo seu cão.
Os coronavírus são uma grande família de vírus. Alguns causam doenças semelhantes ao resfriado nos humanos, enquanto outros causam doenças diferentes em certos tipos de animais, como gado, camelos e morcegos. Outros coronavírus ainda, como os coronavírus caninos e felinos, infectam apenas animais e não infectam humanos.
As variações
Dois relatórios divulgados em março de 2021 encontraram a primeira evidência de que cães e gatos podem ser infectados pelo B.1.1.7, uma variante recente do coronavírus, mais letal e que se transmite mais facilmente entre as pessoas. Essa descoberta foi a primeira em que uma das variantes principais do covid foi vista fora dos humanos.
O B.1.1.7 foi descoberto no Reino Unido onde alguns dos animais de estimação infectados foram encontrados. Eles tiveram miocardite – uma inflamação do tecido cardíaco que, em casos graves, pode causar insuficiência cardíaca. Mas os relatórios não oferecem nenhuma prova de que a variante SARS-CoV-2 seja a responsável, nem que seja mais transmissível ou perigosa em animais. “É uma hipótese interessante, mas não há evidências de que o vírus esteja causando esses problemas”, disse Scott Weese, veterinário do Ontario Veterinary College da University of Guelph, especializado em doenças infecciosas emergentes.
Até agora, o impacto dessas variantes em animais de estimação não está claro. Embora já existam mais de 120 milhões de casos de Covid-19 em todo o mundo, apenas um grupo pequeno de animais de estimação teve resultado positivo para o SARS-CoV-2 original (provavelmente porque ninguém os está testando). Animais de estimação infectados parecem ter sintomas que variam de moderados a inexistentes, e segundo especialistas em doenças infecciosas, animais de companhia provavelmente desempenham um papel pequeno, ou nenhum, na disseminação do coronavírus às pessoas.
Porém, segundo o especialista em doenças zoonóticas Eric Leroy, virologista do Instituto Nacional de Pesquisa para o Desenvolvimento Sustentável da França, as novas variantes podem mudar essa equação. Em um dos novos estudos, ele e seus colegas analisaram animais de estimação admitidos na unidade de cardiologia do Ralph Veterinary Referral Centre nos arredores de Londres. O hospital notou um aumento acentuado no número de cães e gatos com miocardite: de dezembro de 2020 a fevereiro de 2021, a incidência da doença saltou de 1,4% para 12,8%.
Isso coincidiu com um aumento da variante B.1.1.7 no Reino Unido. A equipe liderada pelo veterinário Luca Ferasin, chefe do serviço de cardiologia do hospital, analisou 11 animais: oito gatos e três cachorros. Nenhum deles tinha histórico de doença cardíaca, mas todos apresentaram sintomas que variavam de letargia e perda de apetite a respiração acelerada e desmaios. Os exames laboratoriais revelaram anormalidades como batimentos cardíacos irregulares e fluido nos pulmões, todos os sintomas observados em casos humanos de Covid-19.
Um proprietário do Texas foi diagnosticado com Covid-19 e os proprietários de cinco dos onze animais de estimação do Reino Unido testaram positivo para SARS-CoV-2 antes de seus animais desenvolverem os sintomas. Os animais de estimação do Texas não apresentaram sintomas no momento em que foram testados, embora os dois tenham começado a espirrar várias semanas depois. Todos os animais dos Estados Unidos e do Reino Unido se recuperaram desde então, embora um dos gatos do Reino Unido tenha tido uma recaída e tenha sido sacrificado.
Leroy diz que não está claro se a B.1.1.7 é mais transmissível do que a cepa original entre humanos e animais, ou vice-versa. “É impossível dizer que os animais infectados com B.1.1.7 possam desempenhar um papel mais sério na pandemia”, acrescenta ele, “mas esta hipótese tem que ser seriamente levantada”.
Shelley Rankin, microbiologista da Escola de Medicina Veterinária da Universidade da Pensilvânia, aponta que os pesquisadores mostraram apenas uma correlação entre infecção B.1.1.7 e miocardite, e que não descartaram outras causas para a doença. “Não há evidências de que animais de estimação estivessem doentes por causa do vírus”, diz ela.
Weese concorda que nem as descobertas do Texas nem do Reino Unido deveriam soar alarmes sobre animais de estimação colocando seus donos em perigo. “O risco de serem uma fonte de infecção continua muito baixo”, diz ele. “Se meu cachorro se contaminou, provavelmente foi comigo. E tenho muito mais probabilidade de infectar minha família e vizinhos antes dele. ”
Ainda assim, ele diz que os cientistas e veterinários devem fazer estudos sobre o caso do SARS-CoV-2 e suas variantes na miocardite entre animais de estimação. Há evidências de que o vírus pode causar a doença em pessoas, observa Weese, portanto, vale a pena pesquisar os animais de companhia. “Pode ser real”, diz ele, “mas não há razão para as pessoas entrarem em pânico.”
Os riscos de contaminação
Ainda estamos aprendendo sobre o vírus que causa a covid, mas aparentemente ele pode se espalhar de pessoas para animais em algumas situações. Animais infectados podem ficar doentes e não apresentar sintomas. Dos animais de estimação que adoeceram, a maioria apresentou apenas uma doença leve e se recuperou totalmente.
O que fazer
Se você estiver com covid e seu cão ficar doente, não o leve à clínica veterinária. Ligue para o seu veterinário informando que você se contaminou e explique o caso. Alguns veterinários podem atender online e assim avaliar seu cachorro, determinando as próximas etapas para um tratamento.
Nos Estados Unidos, não há evidências de que os animais estejam desempenhando um papel significativo na disseminação do Covid-19. Com base nas informações limitadas disponíveis até o momento, o risco de os animais espalharem covid para as pessoas é considerado baixo. No entanto, como todos os animais podem carregar germes que podem deixar as pessoas doentes, é sempre uma boa ideia praticar hábitos saudáveis com animais de estimação.
- Passeie com seu cão com uma coleira e mantendo pelo menos um metro e oitenta de distância de outras pessoas.
- Evite locais públicos onde um grande número de pessoas se reúna.
- Não coloque máscara no seu cão. As máscaras podem prejudicá-lo.
- Não limpe ou dê banho em seu cachorro com desinfetantes químicos, álcool, peróxido de hidrogênio ou outros produtos, como desinfetante para as mãos, toalhetes de limpeza e produtos de limpeza industriais ou de superfície.
- Converse com seu veterinário se tiver dúvidas sobre produtos adequados para o banho ou limpeza de seu animal de estimação.
- Converse com seu veterinário se seu animal ficar doente ou se você tiver alguma preocupação com a saúde dele.
- Se você estiver contaminado restrinja o contato com seu cão, assim como faria com as pessoas. Nada de carinhos, aconchego, beijos, lambidas, compartilhamento de comida ou descanso na mesma cama. Transfira a outro membro da sua casa os cuidados com seu cães enquanto você estiver doente.
- Lave as mãos após manusear animais, sua comida, lixo ou suprimentos.
- Pratique uma boa higiene no seu cão e limpe-os adequadamente.
- Fale com o seu veterinário se tiver dúvidas sobre a saúde do seu animal.
- Esteja ciente de que crianças com 5 anos de idade ou menos, pessoas com sistema imunológico enfraquecido e adultos mais velhos têm maior probabilidade de adoecer por causa de germes que alguns animais podem carregar.
Vacina para animais
A Rússia anunciou no fim de março, a aprovação da primeira vacina contra a Covid-19 para animais, a Carnivac-Cov.
Segundo o serviço veterinário estatal da Rússia, a vacina foi desenolvida como uma ferramenta de saúde pública para que o vírus não se espalhe de animais para humanos ou – na pior das hipóteses – sofra uma mutação nos animais e retorne para os humanos.
A agência russa registrou quatro relatos de infecções em animais apenas na semana passada, na Itália e no México.
Lembrando que a Rússia também afirmou ser o primeiro país a aprovar uma vacina humana, o Sputnik V.