Faltam cães-guia para cegos no Brasil

By Dog Dicas on 18 de novembro de 2010

Levantamento feito por Organizações não governamentais (ONGs) e pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia aponta que o Brasil possui cerca de 60 cães-guia treinados diante de um universo de 1,4 milhão de cegos.

Não precisa ser nenhum gênio da matemática para saber que esse número é mais do que insuficiente para atender a demanda do país. A principal causa desse déficit, segundo o levantamento, é o número reduzido de instituições brasileiras que realizam esse treinamento, além da falta de recursos agravada pela carência de apoio financeiro governamental ou de organizações privadas. Assim, há duas opções para os cegos brasileiros que desejam a companhia de um cão-guia: ficar por tempo indeterminado na fila de espera de uma ONG que treina cães-guia ou adquirir um desses animais fora do país.

No Brasil, o treinamento desses cães em ONGs especializadas demora aproximadamente dois anos e custa, em média, R$ 25 mil. Contudo, existem ONGs onde as pessoas não pagam pelos animais – os cães são cedidos e, caso não sejam bem cuidados, são retirados – mas têm que aguardar na fila. Um exemplo é a Escola de Cães-Guia Helen Keller.

Para aqueles que não querem esperar e estão dispostos a comprar um animal em outros países, o custo médio de um cão-guia é de US$ 5 mil (cerca de R$ 8,7 mil) além das despesas de viagem e dos gastos no período de adaptação (aproximadamente 30 dias) para integrar e sintonizar o cão com o dono. Entretanto, ao optar por essa alternativa deve-se ter em mente que mesmo assim pode haver espera, visto que em outros países os estrangeiros não são prioridade para aquisição de cães-guia.

Se comparados às bengalas, os cães-guias oferecerem segurança e uma autonomia de locomoção infinitamente maior aos cegos. Eles necessitam de uma reciclagem anual no treinamento e devem se aposentar após, aproximadamente, 7 anos de trabalho.

Esperto pra cachorro

By Fernanda Martins on 18 de novembro de 2010

Com freqüência, as pessoas me perguntam a respeito da inteligência dos seus cães e sobre sua capacidade de aprendizagem.  É comum ouvir dos proprietários: “ele entende tudo o que digo”, ou “ele só falta falar”…  E, de fato, são muitas as demonstrações de esperteza que os cães nos dão.

Na Polícia Militar de São Paulo, por exemplo, os cães são treinados para encontrar drogas, explosivos e pessoas desaparecidas e, para isso, atendem a comandos que são dados em três idiomas: inglês, alemão e português.  Inúmeros casos já foram relatados sobre cães que previram acidentes e catástrofes naturais. Mais ainda: quantos episódios diários nós presenciamos onde a capacidade de ‘raciocínio’ dos cães nos surpreende? Eles conhecem cada reação do dono, se escondem quando fazem besteiras antes mesmo de serem descobertos e sabem identificar prontamente pessoas que precisam de ajuda. Não é por acaso que os cães são escolhidos para ajudar em diversos trabalhos de terapia.

Mas, até onde os cães realmente nos entendem?  Ou melhor, até que ponto esses nossos amigos são capazes de aprender e realizar tarefas?

Nos últimos anos, muitos estudos foram feitos para esclarecer esse mistério. Um dos mais famosos é o do psicólogo e pesquisador Stanley Coren, autor do livro “A Inteligência dos Cães”. Neste estudo é mensurada a ‘Inteligência de Obediência e Trabalho’ e não a inteligência ‘instintiva’ dos cães. Ou seja, ele avalia a capacidade que cada raça tem de entender e efetuar comandos para realizar determinada tarefa e estabelece uma classificação dessas raças por grupos, desde as que têm o melhor e mais rápido desempenho até as que possuem maior dificuldade em obedecê-los.

De acordo com o estudo, a raça considerada ‘mais inteligente’ é o Border Collie e a raça que apresenta ‘maior dificuldade em obedecer’ é o Afghan Hound. Expressei a classificação do estudo entre ‘aspas’ porque penso que cada animal, não só o cão, possui um tipo peculiar de inteligência e dizer que um é mais que o outro não me agrada. De modo geral, todos os animais possuem mecanismos de aprendizado e, além disso, esse estudo trata apenas da capacidade de obediência e trabalho e, como sabemos, essas não são as únicas características de inteligência dos cães.

Um detalhe relevante é que as raças possuem aptidões diferentes para trabalhos – e isso deve ser levado em consideração na hora da escolha da raça para determinada função – e, mesmo dentro de uma mesma raça, há diferenças significativas entre os cães. Um cão nunca é igual a outro, mesmo que sejam da mesma ninhada. Cada um tem suas próprias características, além de haver também diferença entre os sexos. Um exemplo prático disso é que, para o trabalho de resgate do Corpo de Bombeiros, onde geralmente são escolhidos Labradores, há uma preferência por fêmeas porque elas são mais dóceis e não apresentam a dominância dos machos.

Segundo Stanley Coren, ainda, os cães são capazes de aprender cerca de 160 palavras, podendo, assim, ser comparados a bebês humanos. Outros estudos demonstram que alguns cachorros têm a capacidade de contar até cinco e que tentam enganar os humanos para conseguir o que desejam. Uma equipe coordenada pelo pesquisador Brian Hare, da Universidade de Harvard, relata que os cães são os animais que melhor compreendem os sinais humanos. Nem mesmo os chimpanzés – os animais mais próximos do ser humano na evolução – tiveram o mesmo desempenho.

Cada animal tem o potencial de aprendizado e adaptação necessário para sua sobrevivência, o que é demonstrado de acordo com os desafios que são enfrentados ao longo da vida. Durante o processo de domesticação os cães foram selecionados por um conjunto de habilidades que os capacitaram a se comunicarem conosco. Eles entendem muito bem nossa linguagem e usam, satisfatoriamente, a sua própria para se expressar.  À sua maneira, os cães conseguiram meios de se fazerem entender e de, melhor que qualquer outra espécie, demonstrar o que os humanos mais precisam e que muitas vezes não possuem: um amor que não depende de nada, mas somente da existência do outro.

Quem sabe esta não é a forma mais inteligente de se expressar?

Cruzamento entre pais e filhotes

By Fernanda Martins on 30 de novembro de 2009

Tenho uma cadela Rottweiler e ela deu cria. Meus filhos estão querendo ficar com um filhote macho mas eu queria saber se quando ele ficar adulto poderá cruzar com a mãe dele e se não haverá problemas.
(Cinobelino Mendes Leal Neto – Teresina / PI)

Não há nenhum impedimento em ter mãe e filho juntos, porém não é recomendável que eles cruzem. Porque se houver cruzamento entre eles, ocorrerá consanguinidade, isto é, cruzamento entre parentes próximos: mãe e filho, pai e filha e entre irmãos.

Este tipo de cruzamento é bastante utilizado pelos criadores com o intuito de aperfeiçoamento das raças, mas ele também traz o grande problema do empobrecimento genético. Pois ao mesmo tempo que fixa qualidades desejáveis, também aumenta as chances de aparecimento de doenças, uma vez que ressalta características recessivas indesejáveis que estavam inaparentes. Ou seja, os genes “ruins” que determinavam a doença estavam encobertos por genes “bons”, que não deixavam que a doença aparecesse.

O mecanismo pelo qual essas doenças surgem, através da consangüinidade, é o seguinte: dois cães irmãos possuem um gene x (x pequeno) que determina uma certa doença. Porém esse gene x está encoberto por um gene X (x grande), que não permite o aparecimento da doença. Se cada um dos irmãos cruzar com um outro cão que não possua esse gene x, a doença não ocorrerá, porque certamente esse gene estará encoberto. Mas, se os irmãos cruzarem entre si, haverá 25% de chance de que os dois genes x se encontrem e de que essa doença ocorra. Logo, o cruzamento entre animais que não são parentes acrescenta genes novos à linhagem e diminui as chances de surgirem doenças hereditárias.

Uma pesquisa realizada pelo Imperial College de Londres mostrou que os cruzamentos entre cães com parentesco próximos são tão comuns em Pugs que os cerca de 10 mil animais registrados na Grã-Bretanha vêm de uma linhagem de apenas 50 indivíduos distintos. O professor de genética do University College of London, Steve Jones, alertou: “Isto é absolutamente insano do ponto de vista da saúde dos animais. Algumas raças estão pagando um preço terrível em termos de doenças genéticas”.

Muitas anormalidades podem ocorrer devido a esse tipo de cruzamento, desde alterações genéticas, como displasias e criptorquidismo (testículo localizado fora da bolsa escrotal), até doenças neurológicas, como epilepsia. É uma pena que muitos criadores se preocupem apenas com o aperfeiçoamento da raça em detrimento à saúde dos descendentes, muitas vezes gerando sofrimento nos animais, não só devido a doenças, mas também por exagero em algumas características. Um exemplo são alguns cães da raça Pug que simplesmente não respiram direito porque possuem focinhos extremamente achatados, prejudicando suas vias respiratórias; ou cadelas de raças mini, como Yorkshire Terrier e Poodle Toy, que por serem muito pequenas, não conseguem ter um parto natural e precisam de intervenção cirúrgica para conseguir dar a luz a seus filhotes.

Portanto, evite cruzar animais que possuem parentesco próximo. Se macho e fêmea parentes morarem no mesmo ambiente, retire o macho do local no período de cio da fêmea, porque os cães sempre tentarão encontrar um jeito de acasalar. Uma medida bem mais eficaz é esterilizá-los, pois dessa forma não haverá sustos. E se a intenção for acasalar os cães, procure um cão que não seja parente, assim haverá maiores chances de nascerem filhotes saudáveis. A variabilidade genética agradece!

Cães e donos – pesquisas americanas

By Dog Dicas on 8 de agosto de 2009

  • 51% dos cães e gatos domésticos têm nomes humanos;
  • 70% dos donos de cães esperam que seu cachorro o alivie em momentos de depressão / tristeza, comparado com apenas 31% dos donos de gatos;
  • 27% dos donos de cães já tiraram fotos do seu animal com Papai Noel ou o Coelhinho da Páscoa;
  • 61% dos donos de cães dizem que cuidar de um cão satisfaz suas necessidades de ter um filho;
  • 48% das mulheres donas de cães contam mais com o afeto dos seus animais do que com o do seus maridos ou filhos.