Ivermectina – o que é?

By Fernanda Martins on 4 de novembro de 2009

Na rotina clínica, frequentemente uso a Ivermectina para tratamento de algumas parasitoses. Como seu uso é diversificado e existem vários mitos que cercam esse medicamento, muitos clientes ficam em dúvida a respeito dele. Algumas coisas ditas sobre ela são verdadeiras e outras não. Portanto, meu objetivo é esclarecer o que é Ivermectina, para que deve ser usada e quais as suas contra-indicações.

A Ivermectina é uma substância produzida por um fungo chamado Streptomyces, e é usada em animais e em humanos. Ela atua contra alguns vermes (anti-helmíntica) e contra ectoparasitas (ácaros, carrapatos, larvas de moscas e piolhos). É comercializada com diversos nomes e usada sob a forma injetável e oral. Seu uso é prático, eficaz e a duração dos seus efeitos é relativamente longa, permanecendo por certo tempo no organismo do animal. Geralmente uma dose se mantém efetiva por duas a quatro semanas.

A Ivermectina pode causar intoxicação. Isto pode ocorrer quando a dose é grande o suficiente para penetrar na barreira hemato-encefálica, ou seja, ultrapassar a barreira que protege o sistema nervoso central (encéfalo) de certas substâncias que estão circulando no sangue do animal. Filhotes com menos de 6 semanas de vida e cães idosos são mais sujeitos à intoxicação do que os adultos. Algumas raças são predispostas à intoxicação por Ivermectina, como Collie, Pastor Alemão, Pastor de Shetland, Pastor Australiano, Setters, Old English Sheepdog e seus cruzamentos. Isto se deve à deficiência de uma enzima que atua limitando a concentração da droga no sistema nervoso. Nessas raças a Ivermectina pode causar ataxia, tremores, desorientação, hiperestesia, hiperreflexia, hipersalivação, midríase, depressão, cegueira, coma e morte do animal.

Indicação da Ivermectina

A indicação para o uso de Ivermectinas inclui o combate a:

  1. Ácaros: sarna demodécica, sarna sarcóptica, sarna notoédrica (felina), otocaríase (sarna de ouvido);
  2. Nematódeos: Toxocara sp (larva migrans visceral e ocular em humanos), Ancylostoma sp (larva migrans cutânea);
  3. Infestações de carrapatos;
  4. Larvas de moscas (miíases ou “bicheiras”);
  5. Alguns piolhos;
  6. Profilaxia e tratamento de dirofilariose (verme do coração de cães) – aprovado pela FDA (Food and Drog Administration) – os cães devem ser testados para Dirofilaria antes de começarem o uso da ivermectina.

Lembrando que o seu uso deve sempre ser feito sob prescrição do médico veterinário, que irá ajustar a dosagem e determinar a freqüência de aplicação da droga de acordo com o caso clínico e as condições do animal.