Cuidados com a hospedagem dos cães

By Julio Fernandes on 15 de dezembro de 2010

Época do Natal e Ano Novo é um momento muito especial para todos nós. Momento de rever a família e os amigos. Momentos de reflexão, espiritualidade e claro, de festa!

Existem diversas regras que devem ser observadas para quem deseja viajar com segurança com seu animal. Para viagens pelo território nacional basta apresentar a carteira de vacinação do animal atestando a validade da vacina anti-rábica, apresentar um atestado de vacinação, fornecido por qualquer veterinário, informado que o animal não possui qualquer doença infecto-contagiosa. Não se esqueça que para viagens rodoviárias, incluindo o carro da família, o animal NÃO PODE ir solto dentro do carro, devendo ser mantido dentro de “transportes”. Esse procedimento, por mais angustiante que seja para o proprietário, é a forma mais segura para a família, além de não desrespeitar a legislação de trânsito vigente no Brasil.

Se a viagem for feita através de avião, certifique-se junto à companhia aérea quais são os procedimentos. Por questão de segurança, há uma limitação no número de animais por vôo. Sendo assim, a comunicação com a empresa aérea para o agendamento da viagem de toda a família é primordial.

Para as viagens internacionais a documentação é bem diferente com pré-requisitos específicos de cada país. Não se esqueça que, ao regressar para o Brasil, você deve apresentar todas as documentações solicitadas pelas autoridades brasileiras e que, às vezes, não são as mesmas exigidas pelos países estrangeiros. A falta de documentação pode fazer seu animal de estimação voltar para o país de origem (olha a confusão!) e o que era uma viagem em família acaba se tornando um pesadelo.

Mas, o que fazer com os nossos animais de estimação quando não é possível levá-los na viagem?

Nesse Natal, eu e minha mulher vamos viajar para passar o Natal junto com nossa família. Nossa “Tapioca”, um canino da raça Schnauzer, infelizmente não poderá nos acompanhar e decidimos deixá-la em um hotel para animais.

Confesso que foi uma decisão difícil… Mas o ponto é: quais são os cuidados antes de deixar nossos animais nesses hotéis? Sugiro algumas orientações:

  1. Visite o local antes de deixá-lo para verificar as condições de higiene e segurança;
  2. Verifique os hábitos do local. Os animais ficam soltos ou presos? Por quanto tempo? Qual o tamanho do local onde ficam confinados? O local é aberto ou fechado? Possui ventilação ou ar-condicionado?
  3. Verifique a periodicidade da limpeza das instalações, incluindo os canis, potes de comida e água e a limpeza da piscina, quando houver;
  4. Certifique-se que o local não receberá animais agressivos ou anti-sociais;
  5. O local deve exigir a carteira de vacinação do animal, atestando que todas as vacinas estão em dia;
  6. Usar um bom produto ectoparasiticida, impedindo a infestação do animal com pulgas, carrapatos ou piolhos;]
  7. Por mais que os locais ofereçam serviço veterinário, avise o seu médico de confiança que você está viajando e que qualquer emergência ele poderá ser avisado;
  8. Alguns locais oferecem serviço de acompanhamento via internet o que pode ser um diferencial na hora da escolha;
  9. A indicação de um serviço de qualidade, quando possível, é essencial.

No mais, um Feliz Natal e um 2011 repleto de realizações profissionais e pessoais, com muita alegria, saúde e bons momentos com seu animal de estimação.

Otite canina: causas, diagnóstico e tratamento

By Julio Fernandes on 16 de novembro de 2009

Tivemos a oportunidade de atender o Bob, um simpático canino da raça Cocker Spaniel, que não parava quieto no ambulatório da Universidade Federal do Pará. Ele não parava de coçar as orelhas um só minuto, dava muita pena dele.

Após o exame do animal, diagnosticamos seu problema: otite. Mas o que é otite?

Otite é a inflamação do conduto auditivo. Nos animais, é um problema muito comum que, quando não diagnosticado ou tratado corretamente, pode levar os animais à surdez e, ainda, a alterações de postura e comportamento, como andar em círculos. Outros sinais clínicos incluem o odor fétido, dor e a presença de secreção.

Existem diversas causas de otite. Dentre elas, destacam-se: produção excessiva de células de descamação, associada à presença de bactérias, fungos e ectoparasitos, tais como Demodex canis e Otodectes cynotis.

Alguns casos de otite são complicados de serem solucionados. Isso pode ser devido a fatores predisponentes, como a presença de pólipos e neoplasias (tumor) no conduto auditivo. Não podemos deixar de mencionar que algumas desordens sistêmicas também podem desencadear otites recidivantes, como o hipotireoidismo e as alergias. Devemos também chamar a atenção para as raças que têm orelha pendular, como o nosso amigo Bob, que são predispostas à otite, pois propiciam ambiente ideal para o desenvolvimento de bactérias, fungos e sarnas.

O diagnóstico é feito primeiramente pelo proprietário, que observa a alteração de comportamento do animal, principalmente pelo fato do intenso prurido (coceira) que o animal demonstra. Alguns animais podem deixar de se alimentar e até mesmo ficar agressivos quando o proprietário encosta nas orelhas, em virtude da dor.

Já no consultório veterinário, o animal deve ser examinado com auxílio de um otoscópio (aparelho utilizado para enxergar o interior do conduto auditivo), onde é possível identificar a presença de alguns ácaros (O. cynotis) e avaliar a integridade da membrana timpânica. Esse procedimento é essencial, antes de se prescrever qualquer medicamento ao animal.

Não tente adivinhar qual é o agente etiológico, o causador, da otite. Antigamente era comum escutar que a cera de coloração escura, oriunda de conduto auditivo, estava relacionada à otite fúngica, e a cera de cor marrom, relacionada à otite bacteriana, mas isso não corresponde à realidade encontrada.

O uso de medicamentos inadequados, prescritos sem diagnóstico definitivo, é uma das causas mais comuns de tratamentos falhos, sendo assim, o exame citológico é primordial para o tratamento da doença. Podemos, ainda, solicitar o exame de cultura e antibiograma, para maior segurança e eficácia do tratamento, porém, somente após a realização do exame citológico que indique a presença de bactérias.

Por mais que você já tenha visto diversas vezes, não é para introduzir nada no conduto auditivo de seu animal, isso inclui cotonetes e pinças com algodão! Ao longo dos anos, já tive a oportunidade de notar o lado pesquisador de alguns proprietários; vocês não imaginam como são curiosos! Certa vez, um proprietário pingou água sanitária, outro, azeite quente, e o mais impressionante, um produto comercial utilizado na desinfecção de ambientes.

Encontramos, em algumas lojas (Pet Shops), produtos utilizados para auxiliar a retirada dos pêlos auriculares. Isso é terminantemente proibido em cães, principalmente nos animais com otite. Você faria o mesmo procedimento em você?

A utilização de agentes terapêuticos se faz necessária, seja por via tópica (pingando o produto diretamente no conduto auditivo), ou por via sistêmica (administrando por via oral ou pela via subcutânea ou intramuscular). Nos casos mais graves, a técnica de lavagem otológica que tem por finalidade a diminuição dos agentes no conduto auditivo se faz necessária. Nos casos crônicos, infelizmente a única opção do tratamento é a realização de uma cirurgia (ablação de conduto auditivo), pois muitas vezes encontramos estenose (diminuição) do conduto auditivo.

O proprietário é um dos responsáveis em causar o problema e é o primeiro a evitar. Durante o banho dos animais, devemos sempre colocar algodões nos condutos auditivos, para evitar a entrada de água, evitando um ambiente ideal para proliferação de bactérias e fungos. Por mais que você não deixe cair água ou não molhe a cabeça do animal, o risco de entrar uma pequena quantidade ainda é grande.

Ao qualquer sinal de otite, procure imediatamente o seu Médico Veterinário!

Grande abraço e até mês que vem!

Cuidados com a saúde bucal dos cães

By Julio Fernandes on 18 de outubro de 2009

Frequentemente somos questionados em nossos consultórios sobre os cuidados com a saúde bucal de cães e gatos, mais especificamente sobre a importância e o controle do “tártaro”.

Mas o que é o tártaro? Na verdade, o tártaro é oriundo de um material pegajoso e amarelo que se deposita na superfície dos dentes (placa bacteriana ou biofilme) que sofreu um processo de mineralização, pela precipitação de sais minerais provenientes da saliva, sendo denominado de cálculo dentário.

O problema é muito mais sério do que as pessoas possam imaginar! Ele é apenas um sintoma da Doença Periodontal, doença essa a de maior prevalência na clínica de pequenos animais, que se caracteriza pelo seu caráter crônico.

Como o próprio nome diz, a doença acomete o periodonto, estruturas de suporte e proteção dos dentes. Ou seja, qualquer distúrbio nessas estruturas pode levar a danos que inviabilizem a manutenção do dente no alvéolo dentário.

Dentre os principais sintomas destacam-se: dor ao se alimentar, gengivite, mobilidade dos dentes, retração de gengiva, perda dentária, além dos principais sinais relatados pelos proprietários – halitose (mal hálito) e a presença dos cálculos dentários.

As alterações provocadas pela doença periodontal não se restringem à cavidade oral, mas sim inclui diversas alterações sistêmicas, tais como: doença renal (glomerulonefrite), doença hepática (hepatite), doença articular (poliartrite), doença cardíaca (endocardite bacteriana), além de relatos na literatura sobre meningite e discoespondilite.

Uma vez diagnosticada, o único tratamento efetivo é realizado pelo médico veterinário. Entretanto, para sua realização é necessário manter o paciente anestesiado durante todo o procedimento sob anestesia inalatória, pois permite maior segurança aos nossos pacientes, além de realizar o tratamento de maneira correta. O tratamento é complexo, e em diversas ocasiões, muitas extrações são necessárias. A simples retirada dos cálculos dentários com uma pinça, sob sedação, não permite a completa remoção de todo cálculo, mascarando as lesões.

Como vimos, muitas das alterações provocadas pela doença periodontal provocam graves sintomas nos animais, além da possibilidade de levar a lesões irreversíveis. Sendo assim, a única forma efetiva de tratamento é realizada em ações voltadas para a prevenção.

De nada adianta a realização do tratamento feito pelo médico veterinário, se o proprietário, peça fundamental, não participar ativamente do processo. Os animais devem ter seus dentes escovados, se não diariamente, pelo menos com um intervalo de três dias, com o intuito de evitar a formação da placa bacteriana.

O importante sobre a escovação dos dentes dos animais é sempre tornar agradável para seu animal. Nunca force uma escovação, isso pode estressá-lo e gerar algum trauma. Procure realizar o procedimento antes da atividade que seu animal mais goste, pode ser antes de um passeio ou ainda oferecer algum biscoito como prêmio!

O mais importante na escovação é a abrasão provocada pela escova e não a substância utilizada. Devem ser utilizadas escovas e pastas de dente apropriadas para os animais de companhia que são encontradas nos melhores pets shops. Ou seja, nunca devemos utilizar pastas de dente da linha humana nos animais, pois estas contêm sabões e flúor que podem provocar distúrbios gastrointestinais.

Encontramos, ainda, no mercado diversos objetos que são utilizados como coadjuvantes no controle da placa bacteriana, mimetizando o uso da escova. Porém, o proprietário deve tomar cuidado com produtos de baixa qualidade, pois podem causar intoxicação. Vale lembrar que ossos e outros objetos muito duros são contra-indicados devido à possibilidade de causar fraturas dentárias.

Grande abraço e até mês que vem!