Cuidados com a hospedagem dos cães

By Julio Fernandes on 15 de dezembro de 2010

Época do Natal e Ano Novo é um momento muito especial para todos nós. Momento de rever a família e os amigos. Momentos de reflexão, espiritualidade e claro, de festa!

Existem diversas regras que devem ser observadas para quem deseja viajar com segurança com seu animal. Para viagens pelo território nacional basta apresentar a carteira de vacinação do animal atestando a validade da vacina anti-rábica, apresentar um atestado de vacinação, fornecido por qualquer veterinário, informado que o animal não possui qualquer doença infecto-contagiosa. Não se esqueça que para viagens rodoviárias, incluindo o carro da família, o animal NÃO PODE ir solto dentro do carro, devendo ser mantido dentro de “transportes”. Esse procedimento, por mais angustiante que seja para o proprietário, é a forma mais segura para a família, além de não desrespeitar a legislação de trânsito vigente no Brasil.

Se a viagem for feita através de avião, certifique-se junto à companhia aérea quais são os procedimentos. Por questão de segurança, há uma limitação no número de animais por vôo. Sendo assim, a comunicação com a empresa aérea para o agendamento da viagem de toda a família é primordial.

Para as viagens internacionais a documentação é bem diferente com pré-requisitos específicos de cada país. Não se esqueça que, ao regressar para o Brasil, você deve apresentar todas as documentações solicitadas pelas autoridades brasileiras e que, às vezes, não são as mesmas exigidas pelos países estrangeiros. A falta de documentação pode fazer seu animal de estimação voltar para o país de origem (olha a confusão!) e o que era uma viagem em família acaba se tornando um pesadelo.

Mas, o que fazer com os nossos animais de estimação quando não é possível levá-los na viagem?

Nesse Natal, eu e minha mulher vamos viajar para passar o Natal junto com nossa família. Nossa “Tapioca”, um canino da raça Schnauzer, infelizmente não poderá nos acompanhar e decidimos deixá-la em um hotel para animais.

Confesso que foi uma decisão difícil… Mas o ponto é: quais são os cuidados antes de deixar nossos animais nesses hotéis? Sugiro algumas orientações:

  1. Visite o local antes de deixá-lo para verificar as condições de higiene e segurança;
  2. Verifique os hábitos do local. Os animais ficam soltos ou presos? Por quanto tempo? Qual o tamanho do local onde ficam confinados? O local é aberto ou fechado? Possui ventilação ou ar-condicionado?
  3. Verifique a periodicidade da limpeza das instalações, incluindo os canis, potes de comida e água e a limpeza da piscina, quando houver;
  4. Certifique-se que o local não receberá animais agressivos ou anti-sociais;
  5. O local deve exigir a carteira de vacinação do animal, atestando que todas as vacinas estão em dia;
  6. Usar um bom produto ectoparasiticida, impedindo a infestação do animal com pulgas, carrapatos ou piolhos;]
  7. Por mais que os locais ofereçam serviço veterinário, avise o seu médico de confiança que você está viajando e que qualquer emergência ele poderá ser avisado;
  8. Alguns locais oferecem serviço de acompanhamento via internet o que pode ser um diferencial na hora da escolha;
  9. A indicação de um serviço de qualidade, quando possível, é essencial.

No mais, um Feliz Natal e um 2011 repleto de realizações profissionais e pessoais, com muita alegria, saúde e bons momentos com seu animal de estimação.

Antibiótico é coisa séria

By Fernanda Martins on 29 de novembro de 2010

Os antibióticos são os queridinhos da medicina e não haveria como ser diferente. Antes deles, infecções que hoje são perfeitamente tratáveis dizimaram milhares de pessoas e animais.  Por isso, não é à toa que a história da humanidade mudou após sua descoberta – eles aumentaram a nossa perspectiva de vida.

O primeiro antibiótico descoberto foi a Penicilina, uma substância antimicrobiana produzida por fungos do gênero Penicillium com o objetivo de eliminar bactérias competidoras. Devido a essa propriedade a Penicilina começou a ser usada no combate às doenças. A partir dela, a utilização dos antibióticos se tornou freqüente e diversos princípios antimicrobianos surgiram – e evoluíram – para acompanhar a resistência, cada vez maior, dos microorganismos causadores de doenças.

Conceitos

Antes de falarmos sobre os microorganismos que desafiam os antibióticos, gostaria de esclarecer alguns conceitos: os antimicrobianos são substâncias que combatem microorganismos, englobando os patogênicos e os não patogênicos. Já os antibióticos são medicamentos mais específicos, que agem contra microorganismos patogênicos causadores de infecções. Cada antibiótico tem seu espectro de ação, ou seja, sua abrangência: os que possuem amplo espectro são aqueles que atuam combatendo um grande número de microorganismos diferentes e os de pequeno espectro são aqueles que combatem um número reduzido de microorganismos.

A escolha do antibiótico

O procedimento ideal para escolher corretamente um antibiótico é fazer uma cultura e um antibiograma para tentar identificar o microorganismo e certificar-se que o antibiótico a ser usado é eficaz contra ele. Como muitos proprietários me questionam sobre como funciona esse procedimento, irei explicá-lo: uma amostra é coletada do animal e através dela se faz o cultivo do microorganismo (cultura). Após o crescimento das colônias do microorganismo cultivado é feita sua identificação e um teste com vários tipos de antibióticos para saber quais deles combatem aquele microorganismo em questão (antibiograma). Mas vale lembrar que esta situação ideal nem sempre é possível de ser realizada, pois todo esse trabalho laboratorial leva certo tempo e em muitos casos não podemos esperar, visto que o tratamento deve ser iniciado imediatamente. Nesses casos, é feita uma análise geral do quadro do animal para prever o agente atuante e utilizado um antibiótico de amplo espectro até que os resultados dos exames fiquem prontos.

Na escolha do antibiótico também devemos considerar o animal a ser tratado: seu estado fisiológico e nutricional, sua idade, seu histórico de doenças, presença de doenças concomitantes, prenhez e etc. É preciso cautela quando o uso de antibióticos se faz necessário, pois tais medicamentos possuem efeitos tóxicos para o organismo do animal, podendo agravar o seu quadro clínico, além de algumas substâncias serem contra-indicadas em certos casos, como na gravidez e na lactação. Uma vez determinado qual antibiótico será usado, o esquema de tratamento é montado de modo que a infecção seja eliminada no menor tempo possível e com os mínimos efeitos colaterais para o animal.

É comum os proprietários suspenderem o tratamento depois que os sintomas desaparecem e esse é um erro grave que não deve ser cometido

Ao iniciar um tratamento com antibióticos, alguns pontos importantes devem ser respeitados. O primeiro deles é o horário de administração do medicamento (por exemplo, de 8\8 horas ou de 12\12 horas), que deverá ser seguido rigorosamente – isso porque ‘deslizes’ nos horários favorecem o surgimento de cepas (tipos) de patógenos resistentes. Isso quer dizer que os medicamentos devem sempre ser dados na hora certa, durante todo o tratamento. A duração do tratamento, em geral, é de 5 a 10 dias, porém algumas enfermidades requerem um tempo maior. É comum os proprietários suspenderem o tratamento depois que os sintomas desaparecem e esse é um erro grave que não deve ser cometido, pois essa interrupção é outro fator que contribui para o aparecimento de patógenos resistentes.

O uso banalizado e incorreto dos antibióticos é um dos principais fatores responsáveis pelo surgimento de microorganismos resistentes que sofrem mutações genéticas que os torna capazes de não sofrer a ação dos antibióticos. Os microorganismos que sofreram a alteração genética passam sua característica de resistência à descendência. Assim, os antibióticos atuam como um agente selecionador, eliminando as bactérias não resistentes e deixando vivas – e proliferando – aquelas mais fortes e resistentes que eles não conseguiram combater.

Portanto, ouçam o meu apelo: os antibióticos, assim como outros medicamentos, nunca devem ser usados sem a orientação de um Médico Veterinário, cujas recomendações devem ser seguidas à risca. Se usados incorretamente, podem causar sérias conseqüências para o organismo do animal e para a saúde da população em geral devido ao surgimento de patógenos resistentes. Desse modo, a prescrição e o uso desses medicamentos devem ser encarados com seriedade e a responsabilidade cabe tanto ao profissional, que prescreveu, quanto ao proprietário, que fará o tratamento em casa.

Esperto pra cachorro

By Fernanda Martins on 18 de novembro de 2010

Com freqüência, as pessoas me perguntam a respeito da inteligência dos seus cães e sobre sua capacidade de aprendizagem.  É comum ouvir dos proprietários: “ele entende tudo o que digo”, ou “ele só falta falar”…  E, de fato, são muitas as demonstrações de esperteza que os cães nos dão.

Na Polícia Militar de São Paulo, por exemplo, os cães são treinados para encontrar drogas, explosivos e pessoas desaparecidas e, para isso, atendem a comandos que são dados em três idiomas: inglês, alemão e português.  Inúmeros casos já foram relatados sobre cães que previram acidentes e catástrofes naturais. Mais ainda: quantos episódios diários nós presenciamos onde a capacidade de ‘raciocínio’ dos cães nos surpreende? Eles conhecem cada reação do dono, se escondem quando fazem besteiras antes mesmo de serem descobertos e sabem identificar prontamente pessoas que precisam de ajuda. Não é por acaso que os cães são escolhidos para ajudar em diversos trabalhos de terapia.

Mas, até onde os cães realmente nos entendem?  Ou melhor, até que ponto esses nossos amigos são capazes de aprender e realizar tarefas?

Nos últimos anos, muitos estudos foram feitos para esclarecer esse mistério. Um dos mais famosos é o do psicólogo e pesquisador Stanley Coren, autor do livro “A Inteligência dos Cães”. Neste estudo é mensurada a ‘Inteligência de Obediência e Trabalho’ e não a inteligência ‘instintiva’ dos cães. Ou seja, ele avalia a capacidade que cada raça tem de entender e efetuar comandos para realizar determinada tarefa e estabelece uma classificação dessas raças por grupos, desde as que têm o melhor e mais rápido desempenho até as que possuem maior dificuldade em obedecê-los.

De acordo com o estudo, a raça considerada ‘mais inteligente’ é o Border Collie e a raça que apresenta ‘maior dificuldade em obedecer’ é o Afghan Hound. Expressei a classificação do estudo entre ‘aspas’ porque penso que cada animal, não só o cão, possui um tipo peculiar de inteligência e dizer que um é mais que o outro não me agrada. De modo geral, todos os animais possuem mecanismos de aprendizado e, além disso, esse estudo trata apenas da capacidade de obediência e trabalho e, como sabemos, essas não são as únicas características de inteligência dos cães.

Um detalhe relevante é que as raças possuem aptidões diferentes para trabalhos – e isso deve ser levado em consideração na hora da escolha da raça para determinada função – e, mesmo dentro de uma mesma raça, há diferenças significativas entre os cães. Um cão nunca é igual a outro, mesmo que sejam da mesma ninhada. Cada um tem suas próprias características, além de haver também diferença entre os sexos. Um exemplo prático disso é que, para o trabalho de resgate do Corpo de Bombeiros, onde geralmente são escolhidos Labradores, há uma preferência por fêmeas porque elas são mais dóceis e não apresentam a dominância dos machos.

Segundo Stanley Coren, ainda, os cães são capazes de aprender cerca de 160 palavras, podendo, assim, ser comparados a bebês humanos. Outros estudos demonstram que alguns cachorros têm a capacidade de contar até cinco e que tentam enganar os humanos para conseguir o que desejam. Uma equipe coordenada pelo pesquisador Brian Hare, da Universidade de Harvard, relata que os cães são os animais que melhor compreendem os sinais humanos. Nem mesmo os chimpanzés – os animais mais próximos do ser humano na evolução – tiveram o mesmo desempenho.

Cada animal tem o potencial de aprendizado e adaptação necessário para sua sobrevivência, o que é demonstrado de acordo com os desafios que são enfrentados ao longo da vida. Durante o processo de domesticação os cães foram selecionados por um conjunto de habilidades que os capacitaram a se comunicarem conosco. Eles entendem muito bem nossa linguagem e usam, satisfatoriamente, a sua própria para se expressar.  À sua maneira, os cães conseguiram meios de se fazerem entender e de, melhor que qualquer outra espécie, demonstrar o que os humanos mais precisam e que muitas vezes não possuem: um amor que não depende de nada, mas somente da existência do outro.

Quem sabe esta não é a forma mais inteligente de se expressar?

Cruzamento entre pais e filhotes

By Fernanda Martins on 30 de novembro de 2009

Tenho uma cadela Rottweiler e ela deu cria. Meus filhos estão querendo ficar com um filhote macho mas eu queria saber se quando ele ficar adulto poderá cruzar com a mãe dele e se não haverá problemas.
(Cinobelino Mendes Leal Neto – Teresina / PI)

Não há nenhum impedimento em ter mãe e filho juntos, porém não é recomendável que eles cruzem. Porque se houver cruzamento entre eles, ocorrerá consanguinidade, isto é, cruzamento entre parentes próximos: mãe e filho, pai e filha e entre irmãos.

Este tipo de cruzamento é bastante utilizado pelos criadores com o intuito de aperfeiçoamento das raças, mas ele também traz o grande problema do empobrecimento genético. Pois ao mesmo tempo que fixa qualidades desejáveis, também aumenta as chances de aparecimento de doenças, uma vez que ressalta características recessivas indesejáveis que estavam inaparentes. Ou seja, os genes “ruins” que determinavam a doença estavam encobertos por genes “bons”, que não deixavam que a doença aparecesse.

O mecanismo pelo qual essas doenças surgem, através da consangüinidade, é o seguinte: dois cães irmãos possuem um gene x (x pequeno) que determina uma certa doença. Porém esse gene x está encoberto por um gene X (x grande), que não permite o aparecimento da doença. Se cada um dos irmãos cruzar com um outro cão que não possua esse gene x, a doença não ocorrerá, porque certamente esse gene estará encoberto. Mas, se os irmãos cruzarem entre si, haverá 25% de chance de que os dois genes x se encontrem e de que essa doença ocorra. Logo, o cruzamento entre animais que não são parentes acrescenta genes novos à linhagem e diminui as chances de surgirem doenças hereditárias.

Uma pesquisa realizada pelo Imperial College de Londres mostrou que os cruzamentos entre cães com parentesco próximos são tão comuns em Pugs que os cerca de 10 mil animais registrados na Grã-Bretanha vêm de uma linhagem de apenas 50 indivíduos distintos. O professor de genética do University College of London, Steve Jones, alertou: “Isto é absolutamente insano do ponto de vista da saúde dos animais. Algumas raças estão pagando um preço terrível em termos de doenças genéticas”.

Muitas anormalidades podem ocorrer devido a esse tipo de cruzamento, desde alterações genéticas, como displasias e criptorquidismo (testículo localizado fora da bolsa escrotal), até doenças neurológicas, como epilepsia. É uma pena que muitos criadores se preocupem apenas com o aperfeiçoamento da raça em detrimento à saúde dos descendentes, muitas vezes gerando sofrimento nos animais, não só devido a doenças, mas também por exagero em algumas características. Um exemplo são alguns cães da raça Pug que simplesmente não respiram direito porque possuem focinhos extremamente achatados, prejudicando suas vias respiratórias; ou cadelas de raças mini, como Yorkshire Terrier e Poodle Toy, que por serem muito pequenas, não conseguem ter um parto natural e precisam de intervenção cirúrgica para conseguir dar a luz a seus filhotes.

Portanto, evite cruzar animais que possuem parentesco próximo. Se macho e fêmea parentes morarem no mesmo ambiente, retire o macho do local no período de cio da fêmea, porque os cães sempre tentarão encontrar um jeito de acasalar. Uma medida bem mais eficaz é esterilizá-los, pois dessa forma não haverá sustos. E se a intenção for acasalar os cães, procure um cão que não seja parente, assim haverá maiores chances de nascerem filhotes saudáveis. A variabilidade genética agradece!

Otite canina: causas, diagnóstico e tratamento

By Julio Fernandes on 16 de novembro de 2009

Tivemos a oportunidade de atender o Bob, um simpático canino da raça Cocker Spaniel, que não parava quieto no ambulatório da Universidade Federal do Pará. Ele não parava de coçar as orelhas um só minuto, dava muita pena dele.

Após o exame do animal, diagnosticamos seu problema: otite. Mas o que é otite?

Otite é a inflamação do conduto auditivo. Nos animais, é um problema muito comum que, quando não diagnosticado ou tratado corretamente, pode levar os animais à surdez e, ainda, a alterações de postura e comportamento, como andar em círculos. Outros sinais clínicos incluem o odor fétido, dor e a presença de secreção.

Existem diversas causas de otite. Dentre elas, destacam-se: produção excessiva de células de descamação, associada à presença de bactérias, fungos e ectoparasitos, tais como Demodex canis e Otodectes cynotis.

Alguns casos de otite são complicados de serem solucionados. Isso pode ser devido a fatores predisponentes, como a presença de pólipos e neoplasias (tumor) no conduto auditivo. Não podemos deixar de mencionar que algumas desordens sistêmicas também podem desencadear otites recidivantes, como o hipotireoidismo e as alergias. Devemos também chamar a atenção para as raças que têm orelha pendular, como o nosso amigo Bob, que são predispostas à otite, pois propiciam ambiente ideal para o desenvolvimento de bactérias, fungos e sarnas.

O diagnóstico é feito primeiramente pelo proprietário, que observa a alteração de comportamento do animal, principalmente pelo fato do intenso prurido (coceira) que o animal demonstra. Alguns animais podem deixar de se alimentar e até mesmo ficar agressivos quando o proprietário encosta nas orelhas, em virtude da dor.

Já no consultório veterinário, o animal deve ser examinado com auxílio de um otoscópio (aparelho utilizado para enxergar o interior do conduto auditivo), onde é possível identificar a presença de alguns ácaros (O. cynotis) e avaliar a integridade da membrana timpânica. Esse procedimento é essencial, antes de se prescrever qualquer medicamento ao animal.

Não tente adivinhar qual é o agente etiológico, o causador, da otite. Antigamente era comum escutar que a cera de coloração escura, oriunda de conduto auditivo, estava relacionada à otite fúngica, e a cera de cor marrom, relacionada à otite bacteriana, mas isso não corresponde à realidade encontrada.

O uso de medicamentos inadequados, prescritos sem diagnóstico definitivo, é uma das causas mais comuns de tratamentos falhos, sendo assim, o exame citológico é primordial para o tratamento da doença. Podemos, ainda, solicitar o exame de cultura e antibiograma, para maior segurança e eficácia do tratamento, porém, somente após a realização do exame citológico que indique a presença de bactérias.

Por mais que você já tenha visto diversas vezes, não é para introduzir nada no conduto auditivo de seu animal, isso inclui cotonetes e pinças com algodão! Ao longo dos anos, já tive a oportunidade de notar o lado pesquisador de alguns proprietários; vocês não imaginam como são curiosos! Certa vez, um proprietário pingou água sanitária, outro, azeite quente, e o mais impressionante, um produto comercial utilizado na desinfecção de ambientes.

Encontramos, em algumas lojas (Pet Shops), produtos utilizados para auxiliar a retirada dos pêlos auriculares. Isso é terminantemente proibido em cães, principalmente nos animais com otite. Você faria o mesmo procedimento em você?

A utilização de agentes terapêuticos se faz necessária, seja por via tópica (pingando o produto diretamente no conduto auditivo), ou por via sistêmica (administrando por via oral ou pela via subcutânea ou intramuscular). Nos casos mais graves, a técnica de lavagem otológica que tem por finalidade a diminuição dos agentes no conduto auditivo se faz necessária. Nos casos crônicos, infelizmente a única opção do tratamento é a realização de uma cirurgia (ablação de conduto auditivo), pois muitas vezes encontramos estenose (diminuição) do conduto auditivo.

O proprietário é um dos responsáveis em causar o problema e é o primeiro a evitar. Durante o banho dos animais, devemos sempre colocar algodões nos condutos auditivos, para evitar a entrada de água, evitando um ambiente ideal para proliferação de bactérias e fungos. Por mais que você não deixe cair água ou não molhe a cabeça do animal, o risco de entrar uma pequena quantidade ainda é grande.

Ao qualquer sinal de otite, procure imediatamente o seu Médico Veterinário!

Grande abraço e até mês que vem!

Prato principal: cachorro

By Fernanda Martins on 16 de novembro de 2009

Eu, como o país inteiro, fiquei perplexa com a descoberta do abatedouro clandestino de cães em São Paulo na semana passada. O casal dono do local foi detido pela polícia por possuir um abatedouro nos fundos de uma borracharia, onde os cães recolhidos da rua eram mantidos em regime de engorda, depois mortos a machadadas e a carne vendida para restaurantes orientais. Em média eram vendidos 10 animais por semana e, como o abatedouro funcionava há cerca de 3 anos, mais de 1400 cachorros foram mortos pelo casal.

Nas culturas orientais, o consumo de carne de cachorro é comum, mas para nós ocidentais é um hábito que causa, no mínimo, estranhamento. No Brasil, por lei, não é permitido matar e comer animais domésticos, como cachorro e gato. E ainda, segundo a lei estadual 11.977, os “animais domésticos, aqueles de convívio do ser humano, dele dependentes, e que não repelem o jugo humano” não podem ser criados para o consumo. A lei também proíbe “a prática de sacrifício de cães e gatos em todos os Municípios do Estado, por métodos cruéis (…) e qualquer outro procedimento que provoque dor, estresse ou sofrimento”. Assim, o casal será acusado por crimes contra o meio ambiente, maus-tratos a animais, crimes contra o consumo e formação de quadrilha.

O consumo dessas carnes traz risco à saúde, uma vez que os animais eram capturados nas ruas e poderiam estar contaminadas por doenças transmissíveis ao homem (zoonoses). As carnes apreendidas no abatedouro e nos restaurantes serão analisadas pela Vigilância Sanitária, que também fará exames de DNA para confirmar a que espécies essas carnes pertencem. Qualquer alimento de origem animal deve sofrer fiscalização sanitária, e, de acordo com o decreto n° 30.691 de 29 de março de 1952 (Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal), a fiscalização deve ser realizada não só antes ou após o abate, mas também em todo o percurso que a carne percorre até o seu destino. Portanto toda carne sem fiscalização, sendo de cachorro ou de outro animal, pode trazer risco à saúde humana.

Deixando de lado as questões sanitárias, um fato nesse caso foi positivo. Finalmente as autoridades brasileiras agiram contra os maus-tratos a cães. Enquanto em outros países existe uma polícia que trabalha somente investigando crimes contra animais, os chamados “animal cops”, aqui no Brasil infelizmente isto está longe de acontecer. Apesar de serem ações tomadas por se tratar de uma carne que pode afetar a saúde pública, de fato houve uma mobilização por parte das autoridades. Quem sabe isto não se torne uma realidade aqui no Brasil e os crimes contra animais, de qualquer espécie, sejam sempre punidos?

Antes de me despedir, gostaria de deixar uma questão a ser refletida. Por que o consumo da carne de cachorro causa espanto e o de outras espécies não? Outros animais, como suínos, bovinos e aves, são abatidos diariamente e fazem parte da alimentação humana sem causar nenhuma repulsa. Por que o abate desses animais, que nem sempre é feito de maneira “correta”, não causa, na maioria das pessoas, o mesmo sentimento que gerou o abate daqueles cães? Será que um dia esses “animais de produção” serão criados, mantidos e abatidos de uma forma que seja realmente humanitária? Eu, particularmente, torço para que esse dia chegue em breve, não só no Brasil, mas em todos os países do mundo.

Boa semana!

Ivermectina – o que é?

By Fernanda Martins on 4 de novembro de 2009

Na rotina clínica, frequentemente uso a Ivermectina para tratamento de algumas parasitoses. Como seu uso é diversificado e existem vários mitos que cercam esse medicamento, muitos clientes ficam em dúvida a respeito dele. Algumas coisas ditas sobre ela são verdadeiras e outras não. Portanto, meu objetivo é esclarecer o que é Ivermectina, para que deve ser usada e quais as suas contra-indicações.

A Ivermectina é uma substância produzida por um fungo chamado Streptomyces, e é usada em animais e em humanos. Ela atua contra alguns vermes (anti-helmíntica) e contra ectoparasitas (ácaros, carrapatos, larvas de moscas e piolhos). É comercializada com diversos nomes e usada sob a forma injetável e oral. Seu uso é prático, eficaz e a duração dos seus efeitos é relativamente longa, permanecendo por certo tempo no organismo do animal. Geralmente uma dose se mantém efetiva por duas a quatro semanas.

A Ivermectina pode causar intoxicação. Isto pode ocorrer quando a dose é grande o suficiente para penetrar na barreira hemato-encefálica, ou seja, ultrapassar a barreira que protege o sistema nervoso central (encéfalo) de certas substâncias que estão circulando no sangue do animal. Filhotes com menos de 6 semanas de vida e cães idosos são mais sujeitos à intoxicação do que os adultos. Algumas raças são predispostas à intoxicação por Ivermectina, como Collie, Pastor Alemão, Pastor de Shetland, Pastor Australiano, Setters, Old English Sheepdog e seus cruzamentos. Isto se deve à deficiência de uma enzima que atua limitando a concentração da droga no sistema nervoso. Nessas raças a Ivermectina pode causar ataxia, tremores, desorientação, hiperestesia, hiperreflexia, hipersalivação, midríase, depressão, cegueira, coma e morte do animal.

Indicação da Ivermectina

A indicação para o uso de Ivermectinas inclui o combate a:

  1. Ácaros: sarna demodécica, sarna sarcóptica, sarna notoédrica (felina), otocaríase (sarna de ouvido);
  2. Nematódeos: Toxocara sp (larva migrans visceral e ocular em humanos), Ancylostoma sp (larva migrans cutânea);
  3. Infestações de carrapatos;
  4. Larvas de moscas (miíases ou “bicheiras”);
  5. Alguns piolhos;
  6. Profilaxia e tratamento de dirofilariose (verme do coração de cães) – aprovado pela FDA (Food and Drog Administration) – os cães devem ser testados para Dirofilaria antes de começarem o uso da ivermectina.

Lembrando que o seu uso deve sempre ser feito sob prescrição do médico veterinário, que irá ajustar a dosagem e determinar a freqüência de aplicação da droga de acordo com o caso clínico e as condições do animal.

Cuidados com a saúde bucal dos cães

By Julio Fernandes on 18 de outubro de 2009

Frequentemente somos questionados em nossos consultórios sobre os cuidados com a saúde bucal de cães e gatos, mais especificamente sobre a importância e o controle do “tártaro”.

Mas o que é o tártaro? Na verdade, o tártaro é oriundo de um material pegajoso e amarelo que se deposita na superfície dos dentes (placa bacteriana ou biofilme) que sofreu um processo de mineralização, pela precipitação de sais minerais provenientes da saliva, sendo denominado de cálculo dentário.

O problema é muito mais sério do que as pessoas possam imaginar! Ele é apenas um sintoma da Doença Periodontal, doença essa a de maior prevalência na clínica de pequenos animais, que se caracteriza pelo seu caráter crônico.

Como o próprio nome diz, a doença acomete o periodonto, estruturas de suporte e proteção dos dentes. Ou seja, qualquer distúrbio nessas estruturas pode levar a danos que inviabilizem a manutenção do dente no alvéolo dentário.

Dentre os principais sintomas destacam-se: dor ao se alimentar, gengivite, mobilidade dos dentes, retração de gengiva, perda dentária, além dos principais sinais relatados pelos proprietários – halitose (mal hálito) e a presença dos cálculos dentários.

As alterações provocadas pela doença periodontal não se restringem à cavidade oral, mas sim inclui diversas alterações sistêmicas, tais como: doença renal (glomerulonefrite), doença hepática (hepatite), doença articular (poliartrite), doença cardíaca (endocardite bacteriana), além de relatos na literatura sobre meningite e discoespondilite.

Uma vez diagnosticada, o único tratamento efetivo é realizado pelo médico veterinário. Entretanto, para sua realização é necessário manter o paciente anestesiado durante todo o procedimento sob anestesia inalatória, pois permite maior segurança aos nossos pacientes, além de realizar o tratamento de maneira correta. O tratamento é complexo, e em diversas ocasiões, muitas extrações são necessárias. A simples retirada dos cálculos dentários com uma pinça, sob sedação, não permite a completa remoção de todo cálculo, mascarando as lesões.

Como vimos, muitas das alterações provocadas pela doença periodontal provocam graves sintomas nos animais, além da possibilidade de levar a lesões irreversíveis. Sendo assim, a única forma efetiva de tratamento é realizada em ações voltadas para a prevenção.

De nada adianta a realização do tratamento feito pelo médico veterinário, se o proprietário, peça fundamental, não participar ativamente do processo. Os animais devem ter seus dentes escovados, se não diariamente, pelo menos com um intervalo de três dias, com o intuito de evitar a formação da placa bacteriana.

O importante sobre a escovação dos dentes dos animais é sempre tornar agradável para seu animal. Nunca force uma escovação, isso pode estressá-lo e gerar algum trauma. Procure realizar o procedimento antes da atividade que seu animal mais goste, pode ser antes de um passeio ou ainda oferecer algum biscoito como prêmio!

O mais importante na escovação é a abrasão provocada pela escova e não a substância utilizada. Devem ser utilizadas escovas e pastas de dente apropriadas para os animais de companhia que são encontradas nos melhores pets shops. Ou seja, nunca devemos utilizar pastas de dente da linha humana nos animais, pois estas contêm sabões e flúor que podem provocar distúrbios gastrointestinais.

Encontramos, ainda, no mercado diversos objetos que são utilizados como coadjuvantes no controle da placa bacteriana, mimetizando o uso da escova. Porém, o proprietário deve tomar cuidado com produtos de baixa qualidade, pois podem causar intoxicação. Vale lembrar que ossos e outros objetos muito duros são contra-indicados devido à possibilidade de causar fraturas dentárias.

Grande abraço e até mês que vem!

Poodle caliente

By Fernanda Martins on 18 de outubro de 2009

Tenho um cão Poodle (macho), que tirei da rua prestes a morrer. Cuidamos dele até recuperar-se totalmente, e hoje é nosso companheiro amigo e fiel. Gostaria de saber se é normal dessa raça a excitação periódica. Ele “resolve o problema sozinho” mas é desagradável perto de outras pessoas. Como posso amenizar isso e como devo proceder?
Se puder ajudar agradeço desde já.

(Renato)

Olá Renato,

realmente essa “mania” nos causa muito constrangimento…

Para resolver este problema você pode usar florais de bach (para equilibrar o “ânimo”), pode adestrá-lo (o adestramento costuma resolver muito bem problemas comportamentais), pode procurar namoradas para ele (porém existe o risco do problema não se resolver ou mesmo piorar), ou pode optar pela castração (na tentativa de diminuir sua “virilidade” – geralmente dá bons resultados).

Sugiro que procure o veterinário que acompanha seu cão para que ele lhe apresente as melhores opções.

Cuidados antes do primeiro passeio do filhote

By Fernanda Martins on 10 de outubro de 2009

Chegou um filhote na família e você está ansioso para sair, passear a apresentá-lo a todos, não é? Porém logo surge uma pergunta: quando seu novo amigo poderá sair para passear? Vejo muitos clientes com essa dúvida, principalmente aqueles que nunca tiveram cães.

A regra é que o filhote só poderá sair para passear após terem sido aplicadas todas as vacinas. Sim, todas! Antes que isso ocorra, o cãozinho não está totalmente protegido contra as doenças que elas evitam. Se, durante o período entre as doses das vacinas, os filhotes forem expostos a animais doentes ou circularem em locais onde estes animais estiveram, eles poderão se infectar. Por isso, aconselho que nessa primeira fase da vida do seu cão, as saídas devam ser apenas para ir ao veterinário e preferencialmente no colo. Também oriento meus clientes a terem um cuidado importante em casa: evitar que o filhote, que adora roer tudo, morda ou brinque com sapatos que vieram da rua porque podem estar contaminados. Evite também contato do seu filhote com outros cães que não sejam vacinados.

De maneira geral, utilizo na minha rotina clínica o seguinte protocolo de vacinação: A vacina múltipla (que protege contra as principais doenças infecciosas do cão) é dada em três doses, sendo a primeira aplicada entre 45 a 60 dias de vida. As doses seguintes serão feitas 30 e 60 dias após a primeira. A partir dos 4 meses deve ser dada a vacina contra a raiva, em uma única dose. Além dessas, existem outras vacinas que também devem ser administradas, como a vacina contra tosse dos canis e a vacina contra Giardia.

Consulte o médico veterinário para que ele faça um esquema de vacinação ideal para seu filhote e lembre-se de que após completar o calendário, as vacinas terão repetição anual (um ano após a última dose).

Se o seu filhote for mais velho e estiver fora desse protocolo geral de vacinação, a minha recomendação é administrar duas doses da vacina múltipla, com 30 dias de intervalo entre elas, e uma dose da vacina contra raiva. O mesmo procedimento vale para os cães que são adotados adultos. Em ambos os casos, refiro-me aos cães que não possuem histórico de vacinação comprovado.

Um outro detalhe importante que nunca deixo de mencionar é, que além das vacinas, os cãezinhos também precisam ser vermifugados. Assim como as vacinas, os vermífugos (remédios que matam os vermes) devem ter três administrações: aos 30, 45 e 60 dias de idade. Depois das doses iniciais, o vermífugo deve ser repetido, pelo menos, a cada 4 meses durante toda a vida do cão.

Enquanto os passeios não acontecem, uma dica é acostumar seu filhote com a coleira, pois muitos estranham aquela “coisa” no pescoço nas primeiras saídas. Coloque a coleira e passeie dentro de casa mesmo. Faça brincadeiras e dê petiscos para que ele associe a coleira a coisas boas e goste de usá-la.

Completado o calendário de vacinação e vermifugação você e seu cão poderão, com segurança, sair e se divertir bastante!

Bom passeio!

Próstata e castração

By Fernanda Martins on 2 de outubro de 2009

Tenho um Border Collie de 8 anos diagnosticado por ultra-som com hiperplasia de próstata e me foi recomendado sua retirada e castração. Tenho receio com relação a estas operações, especialmente a castração. É realmente necessário? Não é possível realizar apenas a retirada da próstata (como em humanos) sem castração, já que nessa idade ele pode perder o interesse por exercícios? Ele já está ficando sedentário e engordando. Tenho mais um cão e uma cachorra que vivem juntos. A castração pode afetar a ‘posição social’ dele na matilha?
(Mário Bianco – São Paulo/SP)

Olá, Mário

A hiperplasia prostática ocorre como resultado do estímulo androgênio, e nesse caso é prudente a retirada das gônadas (testículos são a fonte dos hormônios andrógenos), pois a involução da próstata só ocorrerá após a castração.

Para animais de reprodução, essa medida não é desejável e podemos recorrer à terapia com medicamentos antiandrogênicos. Porém estes só reduzem o tamanho da prostática temporariamente.

Suas dúvidas são bastante comuns, os proprietários sempre consideram os efeitos “maléficos” da castração. Porém acredito que todos eles possam ser resolvidos com medidas muito simples e que não se tornarão nocivos para a vida do animal.

Quanto ao desinteresse por exercícios, basta criar uma rotina para acostumá-lo a se exercitar. Isto pode ser feito através de passeios mais longos ou do aumento do número de vezes que vocês vão à rua.

Os cães castrados têm realmente tendência ao aumento de peso e se isso ocorrer, você deve recorrer às rações light.

Acredito que seja difícil ele perder sua posição na matilha, uma vez que ele já está inserido há bastante tempo e sua posição já está consolidada.

Cinomose

By Fernanda Martins on 21 de setembro de 2009

No intervalo entre a 1° e a 2° dose de vacinação, meu yorkshire (de 5 meses) teve contato com outro cão que morreu devido a cinomose. Gostaria de saber qual o risco dele ter contraído a doença, sinais de alerta e em quanto tempo eles podem aparecer. Caso se confirme esta possibilidade como devo proceder?
(Rafael Cassaro)

Rafael,

existe sim o risco em se contrair a doença, uma vez que a imunidade dada pela vacina (no caso dos filhotes) só é garantida após a terceira dose. Porém acredito que você não deva se preocupar, pois pelo tempo de uma possível exposição ao vírus, seu cão já teria apresentado os sintomas da doença (aparecem poucos dias após a infecção).

Os sintomas incluem: vômito, diarréia, corrimento nasal, espirros, corrimento ocular mucopurulento, febre e sintomatologia nervosa (desorientação, cabeça pendente, convulsões e etc).

Caso haja algum desses sinais leve seu cão imediatamente ao veterinário, que irá administrar a terapia adequada.

Espero ter ajudado e conte sempre com a gente.

Cuidados com um cão mais velho

By Fernanda Martins on 10 de agosto de 2009

Possuo uma Setter Irlandês chamada Lisa que vai completar 9 anos. Gostaria de saber quais os cuidados que se deve ter com um cão mais velho?
(Emília Cardoso Pereir – Psicóloga – Cabo Frio / RJ)

Emília,

um cão com 9 anos já é considerado “sênior” e isso exige atenção. Com um cão mais velho, devemos cuidar principalmente da alimentação; utilizando rações específicas que forneçam nutrientes necessários à sua faixa etária (algumas rações possuem anti-oxidantes para reduzir os efeitos do envelhecimento) e para que o seu peso seja controlado. Lembre-se que após certa idade crescem os riscos de diabetes e o excesso de peso prejudica as articulações.

Muitas vezes é necessário suplementação de compostos que ajudam na manutenção e suporte das cartilagens, uma vez que em cães idosos é comum o aparecimento de atrites e artroses.

As vacinas seguem o calendário normal sem alterações.

A visita ao veterinário deve ser semestral (ao menos), para que, através de um acompanhamento, sejam avaliadas suas condições corporais e em caso de problemas, seja aplicado o tratamento adequado.

Cruzamento entre Beagle e Fila, pode?

By Fernanda Martins on 3 de agosto de 2009

Eu possuo um beagle (macho) e um fila brasileiro (fêmea) que está no “cio”. Existe a possibilidade dele cobrí-la mesmo com a diferença extrema de tamanho?
(Reginaldo B de Souza)

Reginaldo,

existe sim a possibilidade de um macho de menor tamanho cobrir (cruzar) com uma fêmea maior, para isso basta ela aceitá-lo. Esse tipo de caso é bastante comum na rotina de clínica, pois para a fêmea não é o tamanho do macho que influencia, mas sim suas aptidões ou mesmo disponibilidade (se só há ele disponível).

Não considero uma boa escolha a mistura de duas raças tão distintas. Por isso, a minha dica é deixar sua cadela presa no período do cio para que os machos não tenham acesso à ela, ou levá-la para outro local de confiança até que passe essa fase.

Lembre-se que a mistura entre raças é uma caixa de surpresa e não podemos prever com precisão que tipo de filhotes irão nascer.

Carrapatos vs Ivermectina

By Fernanda Martins on 29 de julho de 2009

Meu vizinho tem um cão com muito carrapato. Ele já passou Kombat líquido mas não teve sucesso. Gostaria de saber se ele deve aplicar Ivomec.
(Paulo Cesar Francisco – Tec Segurança no Trabalho – Pitangueiras / SP)

Olá Paulo Cesar, o Ivomec (Ivermectina) tem sido usado com sucesso para controle de ectoparasitas em cães, entre eles o carrapato.

Porém, vale ressaltar que esse medicamento deve ser usado com cautela e com acompanhamento de um médico veterinário, pois ele pode causar intoxicação. Algumas raças são mais sujeitas à reações adversas, como os collies, afgans, pastores australianos, old english sheepdogs, pastores de shetland e outros cães que resultam de cruzamentos dessas raças. A intoxicação por Ivermectina resulta da concentração da droga no sistema nervoso central (SNC) e raças suscetíveis como estas podem apresentar esse quadro, mesmo quando aplicada a dose recomendada.

Não é aconselhado o uso da Ivermectina em filhotes com menos de 6 semanas de idade, em gestantes ou em doses diferentes das indicadas na bula do medicamento.

A dica é conversar com o seu médico veterinário e comparar entre os produtos do mercado pet, que também sejam destinados para o controle de carrapatos, os que possuem maior margem de segurança.

Além do seu vizinho, você também deve tratar seu cão para evitar uma infestação.

Shih tzu agressivo?

By Fernanda Martins on 23 de julho de 2009

Tenho uma cadela Shih Tzu e gostaria de saber se é normal ela ficar mais agressiva depois de uma certa idade. A minha vai fazer 2 anos e está começando a morder.
(Caroline Morgado – Estudante – Rio de Janeiro / RJ)

Caroline, os Shih Tzus são cães de companhia extremamente dóceis e não são conhecidas mudanças de comportamento com a idade (veja uma tabela com a idade dos cães aqui).

O que pode ocorrer nesses casos é o cão estar insatisfeito com algo, como por exemplo, ficar preso durante muito tempo e não se socializar (isso pode gerar agressividade), estar com algum tipo de desvio de comportamento, ciúme de outro cão, ou algum tipo de dor, e por não falar, morder.

O mais indicado é levar seu cão ao seu médico veterinário para que ele avalie sua saúde e descarte qualquer patologia. Se o problema for somente comportamental, o adestramento costuma resolver.

Enquanto isso, vai uma dica: toda vez que ele morder alguém, borrife água nele (vc pode usar spray para molhar planta). Assim ele vai se assustar e parar. Essa medida não tem contra-indicação, pois como sabemos, água não faz mal a ninguém.