Carrapatos – como combater e controlar

4 de novembro de 2009 | Publicado em: Saúde 

Carrapato - cada fêmea pode colocar de 200 a 3000 ovos por dia (foto: reprodução / Wikipedia)

Carrapato - cada fêmea pode colocar de 200 a 3000 ovos por dia (foto: reprodução / Wikipedia)

Com o verão se aproximando e com ele o aumento da temperatura, aumentam também as infestações de carrapatos. Estes parasitas, além de causarem grandes transtornos e desconforto, transmitem doenças para os animais e para o homem.

Afinal, quem é esse grande vilão? Como combater esse inimigo de “oito pernas”?

Os carrapatos são artrópodes da classe Arachnida, a mesma das aranhas, e tanto os machos quantos a fêmeas se alimentam de sangue (são hematófagos). Os carrapatos mais comuns nos cães são da espécie Rhipicephalus sanguineus (conhecido como carrapato-vermelho-do-cão), porém o cão também pode ser parasitado acidentalmente por outras espécies, como o Amblyomma (carrapato estrela) encontrado em áreas rurais ou de mata. O ciclo de vida dos carrapatos, independentemente da espécie, possui três fases: larva, ninfa e adulto, onde cada fêmea pode colocar de 200 a 3000 ovos por dia.

Ao contrário do que parece, os carrapatos não ficam todo o tempo fixados ao animal. Para colocar os ovos e para fazerem as mudas, eles deixam o cão e vão para o ambiente. É comum ver carrapatos saírem do animal e subirem nas paredes ou para as pontas da grama e das plantas. Isto ocorre porque o carrapato do cão possui geotropismo negativo, ou seja, quando deixa o cão que estão parasitando sobem para locais mais altos, para encontrar e se fixar em um novo hospedeiro que esteja passando pelo local.

Os carrapatos causam diversos problemas ao animal enquanto se alimentam. Nos cães, causam coceira, incômodo, e também podem causar anemia e transmitir doenças que podem ser fatais, como a babesiose e a erliquiose, conhecidas como “doenças do carrapato”. Devido ao seu ciclo de vida, um único carrapato pode parasitar vários hospedeiros diferentes, entre animais e seres humanos. Isto aumenta as chances de transmissão de doenças, pois uma vez que ele se alimente do sangue de um animal infectado, transmitirá o agente etiológico da doença para os demais hospedeiros que irá parasitar. Além dos cães, os carrapatos podem transmitir agentes que causam doenças graves nos humanos, como a Febre Maculosa e a Doença de Lyme. A prevenção da infestação e o combate aos carrapatos são as melhores maneiras de impedir que essas doenças ocorram.

O uso de carrapaticida no ambiente e no cão são os principais métodos de controle. Existem no mercado diversos produtos eficientes contra carrapatos, uns para serem usados no cão e outros para serem usados no ambiente. Entre os produtos usados no cão há a ivermectina, a selamectina, o amitraz, os piretróides, o fipronil e outros. Quando a infestação é grande, pode ser necessário mais de uma aplicação do carrapaticida para matar todos os carrapatos. Nos casos de animais com pêlos longos, recomenda-se a tosa para facilitar o tratamento. É preciso cuidado na escolha e aplicação desses produtos e eles só devem ser usados sob prescrição e orientação do médico-veterinário, pois alguns deles podem causar intoxicação. No caso da ivermectina, seu uso é contra-indicado em algumas raças, como Collie, Pastor Alemão, Pastor de Shetland, Pastor Australiano, Setters, Old English Sheepdog e seus cruzamentos. Também é contra-indicado o uso da maioria dos carrapaticidas em filhotes, gestantes e fêmeas em lactação.

É imprescindível o uso de carrapaticida no ambiente onde vive o cão, principalmente dentro das casinhas, paredes, muros, portões e no chão, com atenção especial para as frestas que costumam abrigar grande número de carrapatos em diversos estágios do seu ciclo de vida. É necessário retirar o cão para aplicá-los no ambiente porque esses produtos podem causar intoxicação. As camas, cobertores e acessórios devem ser bem lavados para retirar qualquer carrapato que tenha se alojado. Se a infestação for grande, é necessário que o produto seja aplicado semanal ou quinzenalmente, para matar todos os carrapatos .

Para a prevenção, deve-se aplicar regularmente no cão um produto com boa ação residual (de 3 a 4 semanas), e/ou usar coleiras carrapaticidas. Impedir o acesso do cão a áreas onde existam cavalos, bois e animais silvestres é uma boa prática para evitar a infestação acidental por outras espécies de carrapatos. Se não for possível, aplique um carrapaticida no seu cachorro, antes ou depois do passeio. Lembre-se que o combate às infestações de carrapatos é um trabalho que exige paciência e persistência, podendo demorar semanas até que o problema resolvido e os carrapatos, eliminados.

Fernanda Martins é médica veterinária formada pela UFRRJ (CRMV-RJ 7783), especializada em pequenos animais e responsável técnica da DogDicas.
Visite seu site | Leia outros artigos de Fernanda Martins


Comentários

9 comentários para “Carrapatos – como combater e controlar”

  1. Silvia disse:

    Depoimento:
    Minha cachorra é muito bem cuidada, aplico carrapaticidas regularmente, vacinas em dia, vermífugos semestrais. tem 14 anos, muitos problemas de saude, mas tem qualidade de vida. Ahhh e moro no centro de São Paulo.

    No ano passado, como ela estava com uma crise renal, acabei não aplicando o carrapaticida e com APENAS UM carrapato ela “pegou” Erlichia. Tivemos muita sorte, pois ela faz tratamento no HOVET-USP e foi logo diagnosticado e cuidado a tempo.

    O melhor é sempre prevenir.

  2. Olá, Silvia

    O que você faz é excelente, parabéns! É uma pena que sua cadela tenha contraído essa doença e que bom que foi diagnosticada e tratada a tempo. Ao contrário do que as pessoas pensam, um só carrapato pode transmitir a doença. Ñ precisa haver infestação grande para que o agente causador da doença seja transmitido.

    E,sem dúvida, “é melhor prevenir do que remediar”, como diz o ditado popular.

  3. Virgínia disse:

    Olá Dra. Fernanda!!!
    Estou passando as férias na praia com minha cadelinha (uma York Shire de 8 anos de idade) e com uma outra cadelinha (uma poodle de 5 anos de idade) que é de minha cunhada. A poodle acabou de ser diagnosticada com babesiose. Minha dúvida é se mesmo iniciando o tratamento ela pode apresentar risco para minha cadela se um carrapato que já esteja nela ou que venha a picá-la pode, em seguida, passar para a minha York e infectá-la? Se sim, devo então aplicar um carrapaticida para prevenção? Qual seria (tipo)?
    Desde já, certa de sua atenção agradeço e agurado resposta.

  4. romildo disse:

    suas dicas são extremamente boas.
    obrigado por ter postado este artigo.

  5. Obrigada, Romildo!
    Em 2010 teremos muitas novidades!
    Abs

  6. Olá, Virgínia

    o risco existe sim. O melhor a fazer nesses casos é a prevenção, como você mesma mencionou. Ela pode ser feita combinando dois métodos para aumentar a eficácia. Por exemplo: Spray carrapaticida + coleira carrapaticida.

    Não se esqueça da limpeza correta do ambiente com um produto carrapaticida e de que as duas cadelas devem receber o tratamento contra carrapatos.

    Um abraço

  7. Rubens disse:

    Oi Dra. Fernanda
    Meu cão é um Pastor Alemão de um ano e meio e aproximadamente a um mês ele teve contato com uma cadela e essa semana percebemos que ele está com carrapato, já em todos os estágios. Encontramos tanto nele quanto na casinha em que vive!
    Qual o melhor forma de combater essa praga?
    O remedio que devo usar para o cao, pode ser tambem usado na casa dele?

  8. Olá, Rubens
    na matéria “Carrapatos – como combater e controlar” eu explico tudo que é necessário fazer para acabar de vez com os carrapatos.
    Geralmente o produto usado no ambiente não é indicado para usar no cão.
    Um abraço

  9. Paulinho disse:

    Bom Dia queria saber se a realmente o fio de cobre colocado como coleira previne os carrapatos se lenda ou nao

Comente!

Para ter uma foto ao lado do seu comentário, cadastre-se gratuitamente no Gravatar com o mesmo email utilizado em seu comentário.


DogDicas © 2009 - Todos os direitos de reprodução reservados
Desenvolvido por Terreno Digital